Por que os teclados split são ergonômicos?

Teclados split são ergonômicos porque mantêm os pulsos retos, com cada metade na largura dos ombros, e porque têm menos teclas, organizadas em colunas que acompanham os dedos. Assim as mãos se movem bem menos, o que pode reduzir a tensão e o risco de LER, como túnel do carpo, tendinite e De Quervain.

Por que precisamos de um teclado partido ao meio?

Os teclados que usamos hoje vêm das máquinas de escrever dos anos 20, cheias de limitações mecânicas. Eles são ergonômicos? Não exatamente: só nos acostumamos com eles e continuamos usando a mesma coisa até hoje.

Um teclado split pode ajudar a evitar lesões por esforço repetitivo e a diminuir dores, caso você já sinta. E pode ser feito para a sua mão: tamanho, quantidade de teclas, stagger, thumb cluster, tipo e modelo. Estes são os pontos de ergonomia que eu considero em cada teclado.

1. Teclas em colunas (ortholinear)

Num teclado comum, as fileiras são deslocadas na diagonal (row stagger). Isso é herança das máquinas de escrever, que precisavam desse desvio por limitação mecânica, e hoje não estamos mais presos a esse hardware.

Num teclado ortholinear, as teclas ficam alinhadas em colunas retas. Você reaprende a digitar usando todos os dedos, e cada um se move só para cima e para baixo na sua coluna. O espaçamento entre as teclas também diminui, o que ajuda até em jogos.

Teclado ergonômico inteiriço com teclas brancas e pretas dispostas em colunas e o microcontrolador aparente no centro
Teclas em colunas: cada dedo se move só para cima e para baixo.

Os modelos da Tupinikeebs, como Corne, Lily58 e Sofle, vão um passo além: as colunas são escalonadas (column stagger) e acompanham o comprimento de cada dedo. Falo mais disso no ponto 4.

2. Split ou bipartido

Num teclado comum, as duas mãos ficam juntas no centro e os pulsos dobram para fora, o chamado desvio ulnar. Num split, cada metade fica na largura dos ombros e os pulsos ficam retos.

Teclado split com as duas metades separadas, keycaps bege com legendas em japonês e case preta impressa em 3D
Cada metade fica na largura dos ombros, com os pulsos retos.

Isso pode aliviar dores no pulso, no ombro, no antebraço, no cotovelo e até nas costas. Estranho, né? Mas faz sentido: a postura inteira muda quando os braços não precisam se fechar para alcançar o teclado.

3. Quantidade de teclas

Quanto menos teclas um teclado tem, menos as mãos se movem para alcançá-las, e menor é o esforço repetitivo. Geralmente recomendo começar com um teclado 60%, que já é bem menor que um 100% e já é ergonômico. Para algumas pessoas, recomendo começar direto num 40%, como o Corne.

Usar poucas teclas é ruim? Não mesmo! Com camadas (layers), todas as teclas continuam lá, a um toque de distância, e dá para digitar mais rápido e com bem mais conforto. Mas sim, é difícil se reacostumar, principalmente nas primeiras semanas.

4. Stagger

Stagger é a posição das teclas em relação aos dedos. Repare que cada teclado tem um stagger diferente: a coluna do mindinho mais para baixo, a do dedo médio mais para cima. Afinal, ninguém tem a mão igual, e os nossos 5 dedos não têm o mesmo tamanho.

O stagger é muito importante para a ergonomia, mas é pessoal. Não existe o melhor para todo mundo, existe o melhor para cada um. Na foto abaixo há quatro splits: o Tenax, o Totem (sem case) e dois Corne LP. Todos têm staggers diferentes, e o Tenax e o Totem têm até um splay (abertura em leque) na coluna do mindinho.

Quatro pares de metades de teclado split com staggers diferentes, lado a lado com dois trackballs, sobre uma mesa de madeira
Tenax, Totem (sem case) e dois Corne LP: quatro staggers diferentes.

5. A melhor vantagem de um split, fora a ergonomia

Os splits são extremamente pet-friendly. Por quê? Ninguém sabe exatamente. Mas fique feliz: na maior parte do tempo vai ter alguém na sua frente, te ajudando e lembrando o real motivo de o seu código precisar funcionar.

Gato de olhos azuis deitado entre as duas metades de um teclado split, ao lado de um trackball, enquanto uma mão digita na metade direita
O espaço entre as metades é perfeito para um assistente. PS: esse ai é o Tobias.

Quais são os tipos de teclado split?

Existem diversos tipos de teclado, e entre os splits os três principais são MX, Low Profile e côncavos. A diferença está na altura dos switches, no curso das teclas e no formato do teclado.

High Profile (MX)

É o teclado mecânico comum, e switches MX são encontrados em todo lugar: existem milhares de modelos. A qualidade é absurda, alguns já vêm com aquele som “thocc” e pré-lubrificados. Eles têm em média 4 mm de curso, e o switch costuma ter uns 17 mm de altura.

Metade de um teclado split com switches MX, keycaps pretas e iluminação RGB azul e roxa por baixo da case
Split com switches MX e iluminação por baixo da case.

Low Profile (LP)

São switches com normalmente até 3 mm de curso. Para comparar, o teclado de um notebook tem de 0,9 a 1,4 mm (a não ser que seja um ThinkPad das antigas), então é bastante curso para um switch baixo. Existem alguns tipos diferentes, como Kailh Choc e Gateron Low Profile (KS-27 e KS-33).

Metade de um teclado split low profile com keycaps pretas e planas, iluminação vermelha e um encoder, em close
Low Profile: teclado mais fino, com keycaps baixas e planas.

Côncavos (dactyl)

Chegamos neles, os tecladinhos côncavos. Animado? Estou, sim. Os teclados côncavos são esculpidos para que as mãos fiquem o mais confortáveis possível, com as teclas acompanhando a curvatura dos dedos.

Eles podem ser feitos com switches MX ou LP, mas geralmente são meio altos, então em 99% dos casos faz mais sentido montar com MX. Os côncavos são feitos sob encomenda.

Teclado split côncavo TBK mini, branco, com keycaps bege de legendas em japonês e thumb cluster inclinado, as duas metades ligadas por cabos espiralados
Um split côncavo de 42 teclas (TBK mini) com switches MX e thumb cluster inclinado.

Qual teclado split escolher?

Se você está começando, veja o guia Corne, Lily58 ou Sofle: qual escolher?. Se já sente dor ao digitar ou quer algo sob medida, veja as encomendas customizadas e fale com a gente. Foi assim que eu mesmo voltei a digitar sem dor, e conto a história em Quem sou eu.